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Coordenação: CCVF da SMC-Porto Alegre Atualizada em 05/10/2003 |
| PROGRAMAÇÃO DE 30 DE SETEMBRO A 9 DE OUTUBRO DE 2003 |
| O MANIFESTO DE OBERHAUSEN
O colapso do cinema convencional alemão há muito tempo impede uma atitude intelectual e o rejeitamos em suas bases econômicas. O novo cinema tem assim a chance de vir à vida. Em anos recentes, curtas alemães, realizados por jovens autores, diretores e produtores, receberam inúmeros prêmios em festivais e atraíram a atenção de críticos de outros países. Estes filmes e o sucesso por eles alcançado demonstram que o futuro do cinema alemão está com aqueles que falam uma nova linguagem cinematográfica. Como em outros países, o curta-metragem na Alemanha tornou-se um espaço de aprendizado e uma área de experimentação para o filme de longa-metragem. Declaramos que nossa ambição é criar o novo filme de longa-metragem alemão. Este novo filme exige liberdade. Liberdade das convenções da realização cinematográfica. Liberdade das influências comerciais. Liberdade da dominação do interesse de grupos. Nós temos idéias intelectuais, estruturais e econômicas realistas sobre a produção do novo cinema alemão. Nós estamos prontos a correr os riscos econômicos. O velho cinema está morto. Nós acreditamos no novo cinema. Oberhausen, 28 de fevereiro de 1962. CICLO RELEMBRA O MANIFESTO DE OBERHAUSEN, QUE INICIOU O NOVO CINEMA ALEMÃO A partir de terça-feira, dia 30 de setembro, em uma parceria entre o Instituto Goethe de Porto Alegre e a Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro, tem início o ciclo O Manifesto de Oberhausen e o Cinema Novo Alemão, reunindo filmes de diretores ligados ao episódio que marcou a renovação do cinema alemão na década de 1960: o lançamento de uma carta, assinada por 26 jovens realizadores, durante o Festival de Curtas de Oberhausen, em 1962, onde se decretava a morte do velho filme alemão e se propunha um novo rumo para o cinema de autor na Alemanha. Conhecido como "Manifesto de Oberhausen", este documento marcou época e influenciou a eclosão de vários outros cinemas novos pelo mundo todo. Assinado por diretores como Alexander Kluge, Edgar Reitz, Hansjürgen Pohland e Peter Schamoni, este manifesto e os filmes realizados por seus signatários logo influenciaram outros jovens diretores alemães, que passariam a estrear filmes criados dentro dos princípios de renovação estética divulgados no documento. Entre estes nomes, logo se destacariam, entre outros, Werner Herzog, Rainer Werner Fassbinder, Volker Schlöndorff e Jean-Marie Straub. Passados 41 anos de seu lançamento, o Manifesto de Oberhausen mantém intacta a força deste apelo pela renovação estética do cinema. Ao reunir filmes dirigidos por alguns dos signatários de Oberhausen (Alexander Kluge, Hansjürgen Pohland e Edgar Reitz) e de seus seguidores (Werner Herzog e Rainer Werner Fassbinder), este ciclo apresenta alguns títulos fundamentais e pouco conhecidos pelo público. O ciclo O Manifesto de Oberhausen e o Cinema Novo Alemão acontece entre os dias 30 de setembro e 9 de outubro e reúne 6 longas e 6 curtas-metragens. Na noite do dia 8, haverá um debate com a participação da cineasta Liliana Sulzbach e dos críticos Luiz César Cozzatti e Marcus Mello, após a sessão do filme Gato e Rato, de Hansjürgen Pohland. PROGRAMAÇÃO Curtas de Alexander Kluge Programa que reúne vários curtas do mentor intelectual do Manifesto de Oberhausen, Alexander Kluge, ainda hoje um dos cineastas mais importantes da Alemanha. Mestre do cinema experimental, Kluge tem uma obra marcada pela originalidade e pela recusa às convenções narrativas. Brutalidade de uma Pedra: a Eternidade de Ontem (1960) - Uma análise do sistema nazista a partir de sua arquitetura. (duração: 12 minutos) Professor em Transformação (1963) - Três professores do período nazista servem de pretexto para o diretor refletir sobre "uma educação sem prespectivas. (duração: 11 minutos) Retrato de Quem Deu Certo (1964) - A história do ex-policial Karl Müller-Seegeberg, um oportunista que serviu a três regimes e sempre se deu bem. (duração: 10 minutos) Sra. Blackburn (1965) - Um documentário sobre a avó do diretor , com 95 anos de idade. (duração: 14 minutos) Bombeiro E. A. Winterstein (1968) - Um filme de colagem, misturando cenas documentais com restos de filmes ficcionais do diretor. (duração: 11 minutos) Notícias dos Staufer (1977) - Reflexão sobre a eterna espera do povo alemão pela figura do "salvador". (duração: 40 minutos) Gato e Rato (Katz und Maus), de Hansjürgen Pohland (1966). Duração: 88 minutos. Elogiado filme de estréia de Pohland, um dos signatários do Manifesto de Oberhausen, baseado no romance homônimo do escritor Günter Grass. Durante a Segunda Guerra Mundial, um estudante faz tudo para esconder o seu enorme pomo-de-Adão, que o incomoda muito. Depois de ser expulso da escola, é enviado para o "front". Uma parabóla sobre a insanidade da guerra e seus efeitos devastadores sobre o cotidiano das pessoas comuns. Sinais de Vida (Lebenszeichen), de Werner Herzog. Duração: 90 minutos. Soldado alemão locado em uma unidade na Grécia enlouquece e toma um forte repleto de explosivos, ameaçando destruir a cidade inteira. Primeira obra-prima de Herzog, é um marco do Cinema Novo alemão, realizado a partir dos pressupostos do Manifesto de Oberhausen. Por que Deu a Loca no Sr. R.? (Warum Läuft Herr R. Amok?), de Rainer Werner Fassbinder (1969/1970). Duração: 94 minutos. O senhor R. é um típico expoente da classe média alemã: tem um bom emprego, uma bela esposa, um filho e vive feliz numa ótima casa. Leva uma vida absolutamente normal, sem qualquer preocupação ou sinal de crise, até que num dia como qualquer outro explode de forma violenta, levando o filme a um desfecho trágico e brutal. Filme menos conhecido de Fassbinder, em um tom quase naturalista. No elenco, vários de seus colaboradores habituais - Ingrid Caven, Hannah Schygulla, Kurt Raab, Irm Herrmann -, além de participações especiais de outros cineastas alemães de renome como Volker Schlöndorff, Margarethe Von Trotta e Reinhard Hauff. Trabalho Eventual de uma Escrava (Gelegenheitsarbeit einer Sklavin), de Alexander Kluge (1973). Duração: 91 minutos. Mulher casada e com três filhos dirige uma agência clandestina de aborto. Quando o lugar é fechado pela polícia, ela deixa essa atividade e passa a comandar um movimento de agitação política na fábrica onde seu marido trabalha. Após o fechamento da fábrica, ela começa a vender salsichas embrulhadas em panfletos políticos. Em Caso de Perigo e de Grande Necessidade o Meio-termo Leva à Morte (In Gefahr und Grösster Not Bringt der Mittelweg den Tod), de Alexander Kluge e Edgar Reitz (1974). Duração: 90 minutos. Filme com várias linhas paralelas de ação, misturando ficção e documentário. Dirigido pelos dois mais importantes signatários do Manifesto de Oberhausen, Alexander Kluge e Edgar Reitz, é um filme de montagem, bem ao estilo do cinema cerebral de Kluge. Entre as principais tramas do filme, uma agente de espionagem da Alemanha Oriental em uma missão na Alemanha Ocidental, uma prostituta que rouba seus clientes e a dificuldade de moradia em Frankfurt. Num Ano com 13 Luas (In einem Jahr mit 13 Monden), de Rainer Werner Fassbinder (1978). Duração: 124 minutos. A história do transexual Erwin/Elvira Weishaupt, que trocou de sexo por amor de um homem que, de dono de bordel, transformou-se em um dos poderosos da cidade. Durante os últimos cinco anos de sua vida, Erwin/Elvira vaga pela cidade de Frankfurt, acompanhada por uma prostituta, encontrando em seu caminho pessoas fracassadas, que sobrevivem em um ambiente marcado pela frieza, pela solidão, pela brutalidade e pelo desespero. Um dos filmes mais sombrios de Fassbinder, com Ingrid Caven, Volker Spengler, Elisabeth Trissenaar e Eva Mattes no elenco. PROGRAMAÇÃO SALA P. F. GASTAL
Terça-feira (30 de setembro)
Quarta-feira (1º de outubro)
Quinta-feira (2 de outubro)
Sexta-feira (3 de outubro)
Sábado (4 de outubro)
Domingo (5 de outubro)
Terça-feira (7 de outubro)
Quarta-feira (8 de outubro)
Quinta-feira (9 de outubro)
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| A SALA P. F. GASTAL
Localizada no terceiro andar da Usina do Gasômetro, a Sala de Cinema P. F. Gastal possui 118 lugares e está equipada com um projetor de última geração, com capacidade de exibir filmes nas bitolas de 35 mm e de l6 mm. O objetivo maior é provocar a discussão e a reflexão, e não é por acaso que a sala leva o nome de um dos principais críticos gaúchos e um dos fundadores do Festival de Cinema de Gramado, Paulo Fontoura Gastal (1922-1996). Preços dos ingressos:
divulgação: Mariele Salgado Informações pelo telefone 3212-5928 ou 3212-5979 ramais,
220, 221 e 231
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