| 1. Eventos em Gramado
As gerências da Fundacine, em conjunto com a Comissão Executiva
do CBC e a direção do IECINE, organizaram dois eventos paralelos
durante o último Festival de Gramado.
1.1.Encontro de Cinema Brasil México Argentina. Este encontro,
conforme havia sido noticiado nas edições anteriores, estava
destinado a ser um primeiro capítulo de uma série de encontros
entre as três maiores cinematografias, economias e mercados audiovisuais
da América Latina.
Em primeiro lugar o que se afigurava era a necessidade de termos um
conhecimento mais próximo da realidade de cada um destes países,
identificando problemas comuns e as soluções buscadas por
cada cinematografia. Tanto no campo das legislações audiovisuais,
quanto das relações e ações de mercado.
A partir desta radiografia inicial, nossa idéia era a de já
esboçar algumas ações de cooperação
no campo internacional, envolvendo ações combinadas entre
os três países.
Apesar do tempo exíguo que tivemos para organizar este encontro
– praticamente 10 dias, desde que a direção do Festival de
Gramado efetivamente confirmou a disposição em apoiar a realização
do evento - conseguimos constituir uma mesa bastante representativa.
Realizado na manhã de quarta-feira, dia 08 de agosto o encontro
contou com a presença do produtor e distribuidor mexicano Jorge
Sanchez (um dos mais importantes daquele país, produziu alguns dos
filmes mais importantes daquele país nos últimos anos); o
Vice-Presidente do Instituto de Cinema da Argentina-INCAA, Roberto Miller;
o Secretário Geral do Sindicato da Insdústria Audiovisual
da Argentina, Mario Lopez; o distribuidor argentino Alvaro Toledo, um dos
donos da empresa Prodi Films, que tem adquirido filmes brasileiros para
o mercados de TVs por assinatura da América Latina; o presidente
do CBC e membro do Gedic, Gustavo Dahl e a produtora Mariza Leão,
que tem sido uma de nossas representantes na FIPCA (federação
das empresas produtoras de Iberoamérica).
A reunião, iniciada as 9:30 h se prolongou até as 13:00
h e foi considerada bastante produtiva por todos os presentes. Participaram
cerca de 50 pessoas e a sala manteve praticamente o mesmo público
até o final, o que de certa forma demonstra o interesse provocado
pelo debate.
Através das falas dos representantes dos três países,
ficou claro que a situação das três cinematografias
é muito semelhante e que o atual momento é de luta por suas
afirmações, tanto no mercado interno como no internacional.
O México passou recentemente por uma dura discussão da
nova lei do audiovisual, onde o cinema mexicano confrontou-se diretamente
com as major americanas. Estas não se contentaram apenas em ameaçar
com retaliações à nível do ALCA, mas lançaram
mão de vários expedientes de coerção, incluindo
o Congresso Mexicano, além de fazerem uma campanha de divulgação
dirigida à opinião pública que incluiu inclusive panfletagens
em portas de cinema. Uma conclusão que se impôs entre os presentes
é de que a (re)conquista de fatias mais significativas do mercado
interno, pelas respectivas cinematografias nacionais, será sempre
uma dura batalha e dependerá em muito da capacidade de mobilização
do setor, da sensibilização da opinião pública
e da capacidade de influir sobre a vontade política de legisladores
e governos.
Mas estaremos enviando, na seqüência, um relato mais detalhado
sobre este encontro, inclusive com alguns números e cifras que foram
citados nesta reunião e que servem como um breve esboço dos
mercados e legislações dos três países.
De resto, cabe informar que o encontro deliberou a continuidade das
discussões e troca de informações, que serão
coordenadas pelo Gerente Executivo da Fundacine e também responsável
por esta área na Comissão Executiva do CBC. A perspectiva
é que tenhamos desenhado um acordo de cooperação até
o mês de março do próximo ano, quando será realizado
o Festival de Cinema de Guadalajara, no México.
1.2. Reunião Aberta da Executiva do CBC. Esta reunião,
destinava-se a abrir um pouco mais os canais diretos de informação
entre a diretoria executiva do CBC e as entidades e profissionais do RS,
além de outros interessados presentes ao festival. Participaram
da reunião cerca de 40 pessoas, incluídas aí membros
das diretorias da APTC, do SIAV-RS e do IECINE.
O tema principal em discussão, motivado especialmente pela presença
de Gustavo Dahl, foi uma atualização sobre o andamento do
Gedic e as discussões que se estão operando em torno a uma
nova legislação audiovisual para o país.
A primeira conclusão que se impôs foi a de que os conteúdos
do projeto do Gedic continuariam sendo de conhecimento reservado aos membros
do grupo, pelo menos até o dia 31 de agosto, pois existe um acordo
de somente divulgar-se informações, após a finalização
do texto do mesmo e de seu envio ao Congresso Nacional.
Ficou uma dúvida importante no ar e que corresponde aos tradicionais
rumores de véspera; este projeto será apresentado ao Congresso
Nacional como "projeto de lei" ou como "medida provisória". A tendência,
ao que parece, está para esta segunda via.
Mas, ainda que o texto seja conhecido de algumas poucas pessoas, já
se sabe de algumas medidas a serem consagradas. A primeira delas é
a da criação de um órgão gestor para a área
cinematográfica no Brasil. O formato a ser adotado será semelhante
ao de outras áreas econômicas, o de agência reguladora
e controladora. Esta idéia está permeada pela consciência
de que se este órgão não tiver um efetivo poder fiscalizador
e de "polícia", pois em caso contrário, quaisquer que sejam
as novas orientações adotadas, a lei não será
cumprida.
Apesar disso, a idéia geral também é a da busca
da administração dos inevitáveis conflitos de interesses
entre os vários setores envolvidos, através de um amplo e
permanente diálogo entre toda a área audiovisual. Foi observado
por alguns dos que intervieram na reunião que sem essa perspectiva,
o projeto da agência careceria de sentido e tenderia a repetir erros
do passado. Assim, questões polêmicas como a negociação
de uma quota de tela para o cinema nacional em salas de cinema e canais
de TV, deverão ser mediados pela nova agência e não
simplesmente impostos legalmente.
Outros pontos chaves, desencadeados pelas resoluções do
3º CBC de Porto Alegre, são o da participação
das redes de TV no financiamento da produção cinematográfica
nacional e uma significativa melhora nos valores pagos pelas emissoras
aos filmes brasileiros. É sabido de todos que os canais privados
de TV tem se antecipado à divulgação dos resultados
do Gedic e manifestado publicamente sua oposição e resistência
a adoção de possíveis medidas como estas. O que ninguém
sabe dizer é como o Governo Federal, que dará o formato final
ao projeto do Gedic, através de Pedro Parente, reagirá a
estas pressões. O que ficou no ar na reunião, é a
necessidade premente de que a área cinematográfica também
começe a manifestar-se e a fazer pressões públicas
em defesa de seus interesses.
O que provoca igualmente polêmica e resistência de certos
segmentos, especialmente àqueles ligados às grandes distribuidoras
de filmes e programas para televisão, é a reformulação
da Lei 1.900, que dispõe sobre as contribuições obrigatórias
na exibição e veiculação de produtos audiovisuais
estrangeiros no Brasil. Estes valores, que retornam para o financiamento
da indústria cinematográfica brasileira, estão enormemente
defasados e em grande parte não são recolhidos, seja por
falta de fiscalização, seja por falta de atualização
na lei, já que muitos formatos de TV surgiram depois de sua edição
e não estão nela contemplados.
Neste sentido, a reformulação da Lei 1.900 é uma
pedra angular na criação de um fundo setorial, que de suporte
para a atividade como um todo. A estimativa é que este fundo, no
decorrer dos próximos dois a três anos esteja arrecadando
e trabalhando com um montante de cerca de 120 milhões de reais,
o que é bem mais do que o cinema está conseguindo utilizando-se
da Lei do Audiovisual. Assim mesmo, a idéia é manter esta
lei por mais alguns anos, como forma de realizar uma transição
entre o atual formato de financiamento da atividade para um outro, que
venha a se basear na combinação de subsídios públicos
diretos e busca de auto-sustentação no mercado.
A produtora Mariza Leão, na reunião do dia anterior, também
havia entrado neste assunto e relatado sobre uma proposta que ela vem defendendo
desde 1998, a da criação de um adicional de renda. Este se
destinaria a premiar àqueles filmes que ultrapassassem certo patamar
de bilheteria, estimulando a produtora a investir em novos filmes, à
semelhança do que existe hoje na Argentina.
De uma maneira geral, a reunião se resumiu a uma avaliação
do andamento da política nacional cinematográfica, ficando
o assunto do 4º Congresso Brasileiro de Cinema – CBC, em segundo plano.
Este assunto mereceu apenas um relato breve, sobre data, local e formas
de participação, conforme segue abaixo.
1.3. Reunião dos Exibidores. Como tradicionalmente tem ocorrido
nos últimos anos, o Sindicato dos Exibidores do RS realizou uma
reunião em Gramado, como exibidores de outros estados como convidados.
A reunião também foi dedicada a discussão do Gedic,
tendo a participação especial de Gustavo Dahl e do representante
da Columbia no Brasil, Rodrigo Saturnino.
Os exibidores, de uma maneira geral, demonstraram preocupação
como respeito aos rumos da nova legislação que está
surgindo, especialmente com o papel que virá a cumprir a nova agência
de cinema. Outra preocupação presente em quase todas as intervenções
é com a regulamentação as regras do mercado. Neste
sentido, ficou patente a queixa com as novas regras impostas pelas grandes
distribuidoras, como a garantia de renda mínima no lançamento
de filmes "blockbusters". Neste sentido, ficou presente a idéia
de que a nova agência deverá atuar também sobre situações
como estas, evitando a possíveis práticas de "dumping" e
da cartelização do mercado.
2. Reunião
Executiva do CBC
Foi realizado na última semana, no Rio de Janeiro, uma reunião
da Comissão Executiva do CBC. Na pauta, o tema principal ficou por
conta da organização e preparação do 4º
CBC.
Decidiu-se que a nova data será de 15 a 18 de novembro próximos,
na cidade do Rio. Todo a atividade congressual deverá Ter lugar
no Hotel Rio Othon Palace.
Já está em funcionamento uma comissão organizadora
enxuta e operativa, composta de Gustavo Dahl, Aurelino Machado, Silvia
Rabello e mais dois assistentes. O escritório do congresso foi cedido
pela Abeica (Assoc. Brasil. Das Empresas de Infra-estrutura Cinematográfica),
com funcionamento junto ao Labocine.
Serão mantidas praticamente as mesmas regras de delegação
adotadas no 3º CBC de Porto Alegre. Em um total estimado de 150 participantes
com direito a voz e voto, dois terços (100) deverão ser indicados
por entidades e instituições da área cinematográfica
e um terço (50) serão personalidades reconhecidas do meio,
a serem indicadas pelas entidades membros e executiva do CBC.
De uma lista inicial elaborada – e que segue em anexo a esta – o RS
ficaria com 11 delegados indicados por entidades e instituições.
Destes, dois seriam para atores e técnicos filiados ao Sated-RS,
o que é um fator forte de dúvida, tendo em vista que o Sindicato
dos Artistas ainda está em fase de reorganização e
ainda tem pouca ligação com a atividade cinematográfica.
Fica de pé a questão.
Esta lista preliminar de delegados já tem a contestação
do Sindicine-SP e do Stic-RJ, sindicatos representantes da mão de
obra cinematográfica, pois ambos teriam sua representação
reduzida de 5 para 3 delegados. Enfim, este é só um primeiro
round dessa discussão que deverá Ter suas definições
finais durante o mês de setembro.
O temário central do congresso será uma avaliação
do que transcorreu desde o 3º CBC. Partindo de seu documento final,
o 4º CBC discutirá os avanços e pendências da
pauta dos 69 pontos, bem como deverá desenhar novas estratégias
para o cinema e o audiovisual nos próximos anos.
Ficou sugerido que se façam, onde for possível, encontros
regionais preparatórios. No nosso caso, ficou como indicativo a
realização de um forum reunindo os três estados do
sul.
Foi debatido, ainda, nesta reunião do CBC novamente a situação
do CTAV-Funarte. Ficou decidida uma ação mais enérgica
junto ao Minc, no sentido de uma definição a curto prazo
sobre as reformulações necessárias neste órgão,
que passaria a ser adjunto a Secretaria do Audiovisual.
Quanto ao tema do Gedic, ficou definido como indicativo que, tão
logo tenhamos uma divulgação pública de seus resultados,
o CBC coordene uma ação pública envolvendo toda a
área cinematográfica, incluindo a adesão de várias
personalidades e artistas, em defesa dos pontos de nossa carta programa,
definida no 3º CBC.
3. Informes Finais
A Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas
(FENEEC), em nota oficial emitida nesta última Segunda-feira e dirigida
ao Ministro Pedro Parente, manifestou seu protesto em relação
ao fato dos trabalhos e conclusões do Gedic terem se desenvolvido
entre quatro paredes, sem consultas às entidades representativas
da área de exibição.
A Fundacine está convidando as entidades e instituições
representativas da área cinematográfica do RS, especialmente
a APTC, o SIAV e o IECINE para debater o projeto de "Reciclagem e Formação
Profissional" na área cinematográfica, que tem npossibilidades
concretas de se desenvolver já a partir dos próximos meses,
mediante o apoio da Secretaria de Estado do Trabalho e Ação
Social, através de recursos do FAT.
A Fundacine está encaminhando, em conjunto com a RGE, uma série
de ações visando reforçar e potencializar o lançamento
do filme "Netto Perde Sua Alma", prevista para acontecer no próximo
dia 14 de setembro.
O II Prêmio RGE Governo RS de Cinema deverá ter seu resultado
final divulgado até o dia 05 de outubro próximo. A reunião
final do júri do prêmio está marcada para o dia 04
de setembro em Porto Alegre.
O texto final do projeto de Medida Provisória elaborado pelo
Gedic seria tornado público no dia de hoje e lançado em solenidade
no Palácio do Planalto na próxima terça-feira, 05
de setembro. Não existe, no entanto, confirmação disso
até o momento.
Gerência Executiva da Fundacine
Porto Alegre, 31 de Agosto de 2001
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