| 1. Segunda Reunião Aberta do Gedic (Fiesp
– São Paulo)
A exemplo da reunião ocorrida na Firjan do Rio de Janeiro, em
janeiro, tivemos uma segunda reunião aberta do Gedic, desta vez
convocada pelo Sicesp (Sindicato da Indústria Cinematográfica
do Estado de São Paulo).
Este encontro, realizado na última terça-feira (06/03),
foi bem mais representativo do que o do Rio. Vários dos mais importantes
produtores e cineastas de São Paulo (e até alguns do Rio)
se fizeram presentes.
Na mesa, além de Gustavo Dahl, Cacá Diegues, Barretão
e José Álvaro Moisés, que já haviam estado
na reunião da Firjan, estava também Evandro Guimarãres,
que é Vice-Presidente de Relações Institucionais da
Rede Globo e membro da Abert.
Com esta composição, o debate foi bem mais aprofundado
e qualificado do que na reunião anterior, com o fato agregado de
que, entre estas duas reuniões, já ter sido concluída
a primeira versão do Relatório do Gedic, que contém
o Pré-projeto de Planejamento Estratégico da Indústria
Cinematográfica, entregue ao Presidente e aos Ministros de Estado
na semana passada. O relatório, entretanto, não será
imediatamente tornado público em sua integralidade, pois ainda é
objeto de muitos debates internos no Gedic e deste com o Governo, pelo
menos até que esteja mais consolidado. Aliás, o Gedic deverá
ter sua existência prorrogada por mais três meses, pois será
necessário colher um retorno sobre a disposição e
vontade política do governo em relação aos pontos
propostos. Foi apresentado na reunião de SP, portanto, apenas um
resumo deste pré-projeto e um Sumário Executivo contendo
as principais diretrizes do relatório. Quem desejar cópia
destes documentos, poderá solicitá-los a Carolina, na Fundacine
(226 3311). De qualquer modo, é importante frisar que, em linhas
gerais, o pré-projeto apresentado no relatório não
foge àquilo que tem sido discutido em todo o país desde o
3º CBC e que pode ser sintetizado em cinco medidas consideradas linhas
mestras, a saber:
- Criação de um Órgão Gestor, no modelo
de Agência (ANP, Anatel, etc.);
- Redefinição e expansão das funções
da Secretaria do Audiovisual-Minc;
- Criação de um fundo financeiro setorial;
- Reforma da legislação existente;
- Legislação para televisão.
Na reunião foram discutidos alguns pontos gerais, e até
alguns bem específicos, sobre estes cinco temas. É lógico
que a questão da TV foi a que mais gerou intervenções
e polêmica. Até por já haver um entendimento geral
de que não há futuro para o cinema brasileiro se ele não
contar com a parceria da televisão. Muito embora Evandro Guimarães
tenha frisado durante toda a reunião de que falava em nome próprio
e que tinha sido convidado a participar do Gedic como pessoa física,
ficou evidente para todos que sua simples presença já é
indício dos novos tempos. Há anos atrás (na era Boni),
o cinema brasileiro era simples e solenemente ignorado e desprezado pela
maior emissora do país, que nunca admitiu sequer o estabelecimento
de um diálogo básico. Nestes últimos anos tem ocorrido
alguns fatos bem relevantes que alteraram significativamente a correlação
de forças políticas no país e a situação
de cada emissora no mercado. Além do que, elementos como a fragmentação
gerada pelo aparecimento de centenas de emissoras por assinatura, a emergência
da possibilidade de entrada de capital estrangeiro na TV brasileira e a
própria afirmação que tem sido conquistada, à
duras penas, pelo cinema nacional nos últimos anos, tem também
concorrido para uma mudança de postura da cabeça executiva
das grandes emissoras, ainda que, até agora, só a Globo tenha
acordado para o fato de que é necessário sentar à
mesa de negociações.
Isto resulta, também, do óbvio receio de que o processo
escape totalmente ao controle e as propostas que ora fazem parte do relatório
do Gedic – que aparentemente contrariam interesses históricos das
grandes redes – possam ganhar força e ser inclusive aprovadas pelo
Executivo e pelo Congresso. Neste sentido, a disposição de
negociar, manifestada de forma aberta por Evandro Guimarães, não
deve ser de forma alguma menosprezada ou taxada simploriamente de mero
"jogo de cena". Isto seria uma demonstração incabível
de baixa estima e de incapacidade de vislumbrar a força virtual
que tem o cinema brasileiro, que se tornou pauta pública obrigatória
desde o impacto do 3º CBC. Além do que, não se pode
ocultar o fato de que o cinema brasileiro funciona muito bem quando aparece
na TV, o que prova ser apenas aparente o conflito entre o cinema nacional
e os interesses comerciais das emissoras.
As propostas para TV, escritas por Cacá Diegues, em linhas gerais,
são aquelas aprovadas no CBC: quota de tela para o cinema nacional,
preços justos na aquisição de nossas obras, participação
financeira das TVs no financiamento da produção de filmes
brasileiros independentes (isto é, produzidos fora das emissoras)
e preços diferenciados para a publicidade de filmes brasileiros.
A escolha, indicada por todos os presentes é a de seguir buscando
a negociação com as emissoras, ao mesmo tempo que buscamos
cristalizar estas demandas em forma de legislação, que será
a única garantia de que venham a ser efetivamente cumpridas e consolidadas
ao longo do tempo. É isso: cabe a nós, ficarmos atentos e
acompanharmos cada detalhe do desdobramento deste processo.
Outro ponto que concentrou a atenção dos presentes, foi
a criação do chamado "órgão gestor" para o
cinema brasileiro. Houve consenso de sua imediata necessidade e também
do formato de "Agência" sugerido. Estes tipos de organismo, que transcendem
a ação de ministérios isolados, tem dado muito mais
resultados que os antigos " institutos" . A proposta de formatação
da Agência de Cinema já está em estudos na Casa Civil,
aos cuidados do ministro Pedro Parente, que também é o coordenador
geral do Gedic, deverá estar concluída nestes próximos
três meses, o que talvez viabilize sua implantação
ainda em 2001, se aprovada pelo executivo e pelo legislativo.
A questão do fundo setorial foi menos evidenciada do que na reunião
do Rio, mas o importante é que já está formatada uma
primeira minuta de reformulação da Lei 1.900, que fixa a
taxação sobre filmes estrangeiros em bases mais realistas,
o que será uma das principais fontes do novo fundo a ser criado.
2. Reunião da Executiva
do CBC entidade.
Como já havíamos feito durante a reunião do Gedic
no Rio, em janeiro, aproveitamos a ida das pessoas a São Paulo para
realizar a reunião da direção do CBC, no dia seguinte
(07/03/01).
O relato desta reunião, seguirá na segunda parte deste
boletim, a ser enviada na próxima semana.
3. Prêmio de Cinema.
Temos a satisfação de informar, que o projeto da segunda
edição do prêmio foi aprovado na íntegra pelo
Conselho Estadual de Cultura.
Este projeto, resultado de muitas reuniões, ainda precisa ser
aperfeiçoado entretanto, especialmente no que diz respeito ao detalhamento
do regulamento do concurso.
Neste sentido, foi realizada ontem (08/03/01) uma reunião preliminar
entre as gerências da Fundacine, o Coordenador do Ceppav e a Diretora
do Iecine, para dar partida no processo.
Ficou acertado que o II Prêmio de Cinema RGE – Governo do RS será
lançado na segunda semana do mês de abril, ficando as inscrições
abertas por 45 dias.
Mais adiante, estaremos detalhando o calendário do concurso após
termos obtido estas definições junto com a RGE que, desde
o final do ano passado, confirmou sua participação como promotora/patrocinadora
desta segunda edição.
4. Programa de Reciclagem
e Formação da Mão de Obra.
Este projeto se encontra em sua fase final de redação,
quando será apresentado ao Ministério do Trabalho. Trata-se
de um amplo programa a ser realizado em conjunto com a APTC, com o SIAV
e o IECINE. Também estaremos detalhando-o no próximo boletim.
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