| 1. Relato Reunião GEDIC no Rio de Janeiro
(23.01.2001)
A reunião, realizada na Firjan, fora convocada pelo SNIC. A proposta
era de que os membros participantes desse grupo executivo, da área
de produção e realização, prestassem contas
de sua atuação. Isto é, que Gustavo Dahl (representante
do CBC entidade), Luis Carlos Barreto (produtor) e Cacá Diegues
(cineasta) relatassem a todos o andamento dos trabalhos no GEDIC e apresentassem
a primeira versão do relatório final, a ser entregue dentro
de dois meses ao Presidente da República. O SNIC convidou algumas
pessoas de outros estados, mas em número reduzido.
Os participantes, além dos membros da mesa, foram o Secretário
do Audivisual, José Álvaro Moisés, o presidente da
Feneec, Ugo Sorrentino, o distribuidor Marco Aurélio Marcondes e
os produtores Mariza Leão, Glaucia Camargos, Bruno Stroppiana, Walkiria
Barbosa, Tarcisio Vidigal (do Rio de Janeiro), Assunção Hernandez
, Aníbal Massaini e Van Fresnot (de São Paulo).
A pauta se centrou em um breve histórico dos trabalhos do Gedic
e na leitura dos ítens fundamentais da primeira versão do
relatório e também no relato da reunião ocorrida com
a cúpula do Rede Globo.
A versão preliminar do relatório tem cinco pontos fundamentais,
todos eles inspirados nas resoluções finais do 3º CBC:
1. Criação de um órgão gestor ou agência
de fomento para o cinema no Brasil – este órgão passaria
a funcionar ainda este ano e assumiria para si todas as funções
estratégicas de construção de uma indústria
cinematográfica. Ele regularia o funcionamento do fundo setorial,
teria funções de agente fiscalizador e de controle e mediaria
e gestionaria as relações entre cinema e televisão.
Seria um órgão público interministerial subordinado
diretamente à Presidência da República;
2. Redefinição das funções da Secretaria
do Audiovisual – esta passaria a cuidar das atividades de suporte e apoio
ao cinema cultural: curta, média, animação e documentários;
da gestão de órgãos como o CTAV-Funarte; do Grande
Prêmio Cinema Brasil; do apoio aos festivais de cinema e da realização
destes concursos periódicos que tem havido nos últimos anos;
além das atividades de promoção do cinema brasileiro
no exterior;
3. Reformulação da Legislação Audiovisual
– além de corrigir algumas deficiências graves da Lei do Audiovisual,
é proposta a volta dos 100% de renuncia fiscal para o cinema na
Lei Rouanet e a possibilidade de criação de fundos da pessoa
física; além de modificações profundas na Lei
1900.
4. Criação de um Fundo Setorial – este fundo teria por
base, principalmente, as receitas previstas na Lei 1900 (atualmente ela
prevê apenas o recolhimento de uma taxa sobre o lançamento
e exibição de filmes estrangeiros no país, fundo este
que está arrecadando um máximo de R$ 8 milhões por
ano, mas que pode chegar a R$ 25 milhões se houver uma fiscalização
efetiva). Além de garantir o integral cumprimento da Lei, nos moldes
em que ela funciona atualmente, seriam incorporadas novas fontes de recolhimento
como: um percentual sobre a veiculação de publicidade nas
emissoras de tv (a exemplo do que existe na Argentina) e outras vias de
ingresso, dentro da própria atividade audiovisual. Este fundo será
gerido pelo órgão gestor e poderá incluir diferentes
formas de financiamento à produção, distribuição
e exibição, a exemplo do que já existe em outros países;
5. Relações Cinema e TV – a proposta é a de utilizar
a intermediação do Estado, para regular estas relações,
como de resto é feito em qualquer país que tenha uma cinematografia
forte. As redes e emissoras seriam chamadas a investir uma parte de seu
faturamento em produção independente de cinema, além
de haver uma reserva de mercado (quota de tela) para o filme brasileiro
na programação das emissoras, sendo que se estabeleceria
uma política de preços mínimos para o filme nacional.
O bom nisso tudo é que, em paralelo às discussões
do Gedic e elaboração do texto do relatório final,
está se desenvolvendo uma negociação direta com a
Rede Globo e a Abert. Gustavo, Barreto e Cacá, tiveram uma reunião
com toda a cúpula executiva da Globo, onde compareceu a Diretora
Geral Marluce. Em todos os pontos levantados para início de negociações,
houve uma certa receptividade. As velhas resistências históricas
à qualquer tipo de negociação, pelo menos aparentemente,
até o momento, não apareceram. É lógico que
a mudança da legislação em vigor, que permitirá
a entrada de capital estrangeiro, está colaborando para tornar a
rede nº Um mais permeável. O cinema brasileiro passa a ser
visto, dentro de suas reduzidas dimensões, com um potencial aliado
na defesa de uma "teledramaturgia nacional" . Para que isso se efetue,
algumas pequenas concessões não farão grande dano
ao faturamento da(s) rede(s), como por exemplo chegar a aceitar a proposta
de destinação de uma pequena parte dos ingressos com veiculação
de publicidade, para a produção de filmes. O que ainda não
ficou esclarecido é se a Globo e a Abert estão interpretando
essa proposta como a possibilidade de produzir seus próprios filmes,
como de fato já acontece ou, como é reivindicado historicamente,
que este percentual seja dedicado à produção independente,
isto é, de filmes que sejam realizados por produtoras que atuem
fora da estrutura das emissoras.
Independente disso, a abertura em si de um canal de diálogo,
que se acelerou a partir da participação de Evandro Guimarães
no 3º CBC, já significa um razoável avanço.
As recentes "semanas de cinema brasileiro" , que na Globo tiveram picos
de audiência entre 16 e 27 pontos, já são resultados
deste novo momento de abertura de negociações. O êxito
de audiência destas iniciativas não se constituem em novidade,
já que sempre que as emissoras brasileiras exibem filmes nacionais,
a audiência sobe e supera a dos " enlatados" americanos, comprados
em lote e por preços de ninharia. Esta é, aliás, uma
das pedras de toque de uma negociação mais ampla. O filme
brasileiro, para fins de aquisição de direitos pelas emissoras,
não pode ser comparado ao filme "B" e "C" americanos, pois estes
já chegam pagos no mercado brasileiros, que tem "função
meramente ornamental" para eles, segundo Cacá Diegues.
Em suma, a reunião pública organizada pelo Snic para discutir
a evolução dos trabalhos no Gedic, foi bastante auspiciosa
e demonstra uma vez mais a capital importância que teve o 3º
CBC no desencadeamento deste momento histórico. Outra situação
digna de nota foi a presença pró-ativa do Secretário
do Audiovisual. A postura do Secretário demonstrou afinação
com os propósitos que estão sendo esboçados no Gedic,
inclusive com as novas funções que passaria a assumir a Secretaria.
É muito importante esta posição para a futura circulação
do relatório dentro do Governo Federal, pois se houvesse discordância
do Minc, dificilmente as soluções apontadas teriam condições
de se desdobrarem.
2. Reunião Diretoria
do CBC
No dia seguinte à reunião na Firjan, houve a Segunda reunião
da Diretoria do CBC, no escritório de Gustavo Dahl no Rio de Janeiro.
A tônica desta reunião, como não poderia deixar de
ser, foi o encontro do dia anterior na Firjan e as ações
que deverão ser empreendidas pelo CBC no desdobramento das atividades
do Gedic. Ma outros pontos de importância mereceram a atenção
dos presentes incluindo também a realização do 4º
CBC. Transcrevemos, abaixo, a ata integral da reunião, para o conhecimento
de todos.
ATA REUNIÃO COMISSÃO EXECUTIVA CBC
Presentes: Gustavo Dahl, Assunção Hernandes, Tony de Sousa,
Lúcia Murat, Aurelino Machado, Dora Mourão, Silvia Rabello,
Beto Rodrigues.
Pauta: Informes Gerais, 4º Congresso, GEDIC, Critério de
alocação de recursos públicos, Organização
interna do CBC.
O Presidente Gustavo Dahl iniciou informando que devido à desmobilização
de final de ano o processo de registro da entidade CBC acabou sendo prejudicado.
Houve alguns contratempos devidos ao fato de termos buscado ajuda gratuita
de advogados para a assinatura do CBC. Embora tenham demonstrado boa vontade
não podíamos apressá-los. Isso também acabou
atrasando a questão do registro. Seja como for, está tudo
encaminhado e, segundo Aurelino Machado, talvez ainda esse mês seja
possível abrir a conta no banco para o acerto das anuidades das
entidades filiadas.
Gustavo informou que a Silvia havia feito um contato com a Firjan sobre
o 4º Congresso e parece que teve boa acolhida.
O Presidente do CBC esclareceu que apesar de ter tentado fazer com que
os orgãos de governo providenciassem uma estrutura mínima
para auxiliá-lo nos trabalhos do GEDIC, isso não aconteceu
e ele acabou sendo sobrecarregado. Segundo Gustavo, o ideal é que
fosse possível fazer um planejamento estratégico do cinema
brasileiro para os próximos 10 anos. Ou seja, dois anos do governo
Fernando Henrique e os dois próximos governos. Sobre a criação
do Orgão Gestor está se gestando uma visão voltada
para a institucionalização, planejamento estratégico,
fiscalização, atividade que se apoiaria na criação
de um fundo setorial.
Gustavo ressaltou que as reuniões com as TVs até agora
têm sido reuniões diplomáticas. Não se avançou
nas discussões sobre os percentuais obrigatórios de investimento
na produção. Assunção acha que deveria ser
proposto um acordo experimental com a Globo.
Beto Rodrigues observa que deveríamos prestar mais atenção
à experiência que se desenvolve atualmente no RS, onde existe
um diálogo permanente do cinema gaúcho com a RBS (afiliada
da Rede Globo no RS e SC). Esta parceria já gerou o projeto Curtas
Gaúchos, exibido todos os sábados a tarde durante o ano passado,
gerando picos de audiência e um concurso de curtas que será
bancado pela emissora. Além disso, a RBS ingressou recentemente
no Conselho de Curadores da Fundacine, do qual já fazia parte a
TVE, com quem a entidade desenvolve atualmente um projeto de teledramaturgia,
que tem se falado pouco da contribuição de Porto Alegre para
o atual estágio das relações do cinema brasileiro.
Segundo ele essas relações amadureceram muito. As relações
inter-entidades e inter-institucionais atingiram um nível muito
bom. Preocupa-se com a próxima fase na qual as amabilidades podem
desaparecer e dar lugar a confrontação.
Aurelino acha importante dividirmos bem os assuntos CBC, GEDIC, IV CONGRESSO
e ORGÃO GESTOR. Tratar cada um separadamente. Há coisas que
antecedem o IV Congresso que é a maturação do CBC.
É preciso separar a questão do Gedic da criação
da Agência. O Gedic tem um papel a cumprir agora. Tem um prazo para
se extinguir. Até o final desse prazo deverá criar a Agência.
Segundo Aurelino as metas do Gedic para a área de exibição
são perfeitamente exeqüíveis. A proposta de incentivo,
capitalização e fortalecimento de algumas empresas distribuidoras
independentes são uma via possível de dar vazão aos
filmes brasileiros e garantir lançamentos mais competitivos. Aurelino
acredita também que a meta de produção de 200 filmes
por ano proposta pelo Barreto não é um delírio mas
possível de ser cumprida. Lembra que a proposta de criação
da agencia já encontra eco até no próprio Ministério
da Cultura, que inicialmente era contra. Segundo Aurelino o CBC já
provocou respostas efetivas, ganhou o respeito da comunidade e Gustavo
consolidou uma representatividade no setor. Mas precisamos estar mais presentes,
nos comunicarmos mais para as pessoas não se esqueçam disso.
É preciso mais divulgação das ações
do CBC.
Tony aproveitou a deixa de Aurelino para lembrar que a função
de Diretor de Comunicação que havia na preparação
do 3º Congresso, exercida por Beto Rodrigues, está fazendo
falta. Como secretário ele tenta, na medida do possível suprir
essa deficiência, mas concorda com Aurelino que está faltando
dar divulgação ás ações do CBC.
Assunção tocou também no ponto do isolamento do
CBC. Concordando com Aurelino e com o Tony, disse que o CBC conquistou
um prestígio enorme e precisa consolidar esse prestígio com
ações concretas do tipo acordos iniciais com as TVs. Voltou
a insistir nos acordos experimentais. Por exemplo acordo de passar um filme
brasileiro por semana. Esses acordos experimentais segundo ela, depois
poderiam virar lei. O CBC precisa começar a construir a sua história.
Criar fatos positivos que levem a classe a dar apoio à entidade.
Gustavo retomando a palavra lembrou um provérbio de Rousseau
que diz que "todo mal vem da fraqueza". Se não conseguimos superar
as pequenas etapas como registrar a entidade, arrecadar as anuidades, comunicarmo-nos
adequadamente como podemos querer dar passos grandes? Segundo Gustavo o
risco de esvaziamento está no ar. Mas nos conforta constatarmos
que a atividade política resulta. O importante segundo ele é
não nos esquecermos do geral. Como fazermos nessa travessia na qual
ele se sente vivendo uma vida dupla (GEDIC/CBC)? Como superarmos a questão
da comunicação DIRETORIA/ENTIDADES/IMPRENSA? Gustavo lembra
ainda que tanto o GEDIC como o CBC são coisas que existem mas não
existem. E que há de se fazer uma distinção entre
encaminhar alguma coisa para o CBC e encaminhar para o GEDIC.
Gustavo propõe fazer duas reuniões do CBC, uma no Rio
e outra em São Paulo, no estilo da que se fez na Firjan, só
que convocada pelo CBC.
Silvia Rabello afirmou que a Firjan se propôs apoiar o 4º
Congresso e que o apoio financeiro da Petrobras está apalavrado
e sendo encaminhado. Silvia informou também que está contratando
uma secretária para a ABEIC e que essa secretária poderia,
se for o caso, dar uma mão ao CBC. Também a Labocine está
contratando um assessoria de imprensa e que essa assessoria estaria à
disposição do CBC. Colocou que precisaria de uma definição
quanto ao local do próximo Congresso e a data.
Lucia Murat coloca também a preocupação do pouco
contato do CBC com as suas bases. Na verdade falta uma discussão
com as entidades.
Dora coloca que a falta de discussão está ligada à
falta de criação de fatos concretos que provoquem a discussão.
Cada um de nós ao comparecermos nas reuniões deveríamos
ter algo a apresentar.
Gustavo lembrou da importância de colocar em discussão
a questão da transparência na alocação de recursos
públicos. Era preciso reunir informações a respeito.
Quem poderia fazer? Segundo ele transparência é melhor que
fiscalização.
Aurelino lembrou que os dados do SICOA estão disponíveis.
Precisaria alguém que trabalhasse esses dados.
Sobre o IV Congresso Gustavo colocou que sua idéia inicial era
trabalhar em cima de um orçamento de 400 mil dividido em 4 cotas
de 100 mil. Uma para o Minc, outra para a Petrobras, outra para a Prefeitura
do Rio de Janeiro e outra para o estado do Rio de Janeiro. A idéia
é que o Congresso aconteça em três dias, com um dia
a mais para a abertura e credenciamento. Seria uma 5a Feira abertura, Sexta,
sábado e domingo o Congresso. Todos ficaram de acordo quanto a isso.
A Silvia Rabello ficou de montar uma pequena estrutura para dar início
aos preparativos do IV Congresso.
Beto Rodrigues lembrou que estrutura do site do 3º Congresso está
montada. Pode perfeitamente ser utilizada.
Houve um consenso de que inicialmente a secretaria do 4º Congresso
poderia utilizar uma sala da Firjan e que a secretária da Silvia
daria uma força. A DATA INICIALMENTE AGENDADA FOI 07 DE SETEMBRO
Houve uma discussão sobre a pauta do IV Congresso e conclui-se
que a base ainda seria os 69 pontos aprovados no 3º Congresso.
Dora manifestou a preocupação com o fato de todos nós
sermos muito atarefados e não estarmos determinando claramente o
que cada um tem que fazer.
Assunção falou que precisaria de um mutirão para
encaminharmos tudo que tem que fazer. Deu como exemplo a proposta do Brandão
que está aguardando a nossa manifestação. Houve consenso
de que deveria se fazer um documento endossando a proposta do Brandão.
Quem?
Gustavo lembrou ainda o que ele havia pensado sobre as relações
internacionais. Iniciar algo com os vizinhos do Mercosul, envolver também
o México. Beto Rodrigues falou do projeto que está elaborando
e ficou de apresentar ao Gustavo.
Talvez aconteça um encontro durante o festival de Gramado envolvendo
Argentina, Brasil e México.
A PROXIMA REUNIÃO FICOU AGENDADA PARA O DIA 07 DE MARÇO
AS 10:00 NA FIESP EM SÃO PAULO.
Secretaria do CBC
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