INFORME FUNDACINE 04 - JAN/2001
Balanço das Atividades da Fundacine em 2000

ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO
FUNCIONAMENTO E FLUXO DE INFORMAÇÃO
SITUAÇÃO FINANCEIRA E PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
PRINCIPAIS ATIVIDADES E AÇÕES
Campanha Institucional de Apoio ao Cinema Gaúcho
3º Congresso Brasileiro de Cinema (CBC)
2º Prêmio de Cinema RGE-Governo do RS
Projeto Cais de Cinema
Projeto de Dramaturgia RS
Projeto Roda Cine
Projeto de Formacâo e Reciclagem Profissional
Fundo Financeiro de Apoio ao Cinema RS

 
1. ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO

A Fundacine manteve sua estrutura básica com dois gerentes, uma secretária-executiva e, nos últimos três meses do ano, uma estagiária (contratada junto ao CIEE). Via de regra a complementaçâo de serviços tem sido realizada através da terceirização. Além desta pequena equipe, a entidade tem contratada uma assessoria contábil permanente. Contamos atualmente com dois computadores, ligados em rede, e conectados com o servidor Terra. Nossa ambição, na medida do possível, é a de fazer um upgrade, passando à Internet por cabo.


2. FUNCIONAMENTO E FLUXO DE INFORMAÇÃO

2.1. Por medida de economia, ainda não contamos com uma assessoria de comunicação permanente e, portanto, não temos um boletim impresso com bom acabamento. Estamos editando provisoriamente um "Boletim Expresso" expedido via e-mall ou fax. Nossa intenção, a curto prazo, é dar uma cara mais jornalística a ele, divulgando assuntos que sejam da exclusiva alçada da Fundacine. Desta forma estaremos evitando a redundância de informações com temas já tratados em boletins como o da APTC. A circulação continuará a ser efetuada exclusivamente entre as entidades e instituições que compõem a fundação.

A proposta de instituição de um sue ficou adiada para 2001. Chegamos a orçar com três empresas que trabalham com webdesign, mas não encontramos nenhuma proposta acessível aos recursos da Fundacine (tivemos uma diferença a menor em nossa previsão financeira, conforme relato a ser apresentado na próxima reunião do Conselho). Se nosso plano puder ser cumprido neste próximo semestre, poderemos ter um site no ar até o final de março.

2.2. Desde a última reunião do Conselho de Curadores (outubro/2000) pusemos em prática uma rodada de reuniões dos grupos de trabalho que lá foram deliberados. O relato dos resultados destas reuniões foram emitidos nos boletins expressos anteriores. A novidade é que já obtivemos um primeiro resultado prático destes encontros, com a elaboração de um projeto de formação e reciclagem profissional na área audiovisual, que estaremos encaminhando brevemente ao Ministério do Trabalho.

Avaliamos que esta foi uma experiência exitosa e que deve ser mantida como rotina neste ano. Ela permite uma maior articulação dos membros do Conselho com o núcleo executivo da entidade e uma interlocução menos espurádica. As reuniões do Conselho de Curadores, por inúmeras razões, não tem conseguido manter a bi-mensalidade prevista, e que deverá ser retomada neste próximo ano.

2.3. Consideramos que seria importante, também, instituir a rotina de uma reunião mensal da diretoria com as gerências, o que não tem ocorrido.


3. SITUAÇÃO FINANCEIRA E PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

A Gerência Administrativa da Fundaane elaborou um planejamento estratégico - PAD, aprovado pelo Conselho de Curadores e adotado desde agosto de 1999, que tem se demonstrado uma excelente ferramenta de controle. Ele tem por base o controle simplificado da aplicação dos recursos, estabelecendo uma tabela comparativa entre o previsto e o realizado que permite a revisão sistemática dos valores realizados e sua projeção para meses subseqüentes. Desta forma são provisionadas e controladas as várias rubricas que compõem o nosso orçamento. O que pudemos verificar ao longo de 2000 é que nenhuma das rubricas teve o seu provisionamento estourado. Ao contrário, conseguimos economizar em várias delas, o que permite uma sobrevida da entidade, apesar de parte da previsão de valores não ter sido realizada por inadimplência. Por isso consideramos que a administração estratégica das finanças cumpriu os objetivos previstos para o período de gestão.

A única quebra em nosso planejamento é que um dos filmes do concurso cumpriu apenas parte de seu compromisso com a Fundacine, isto nos deu uma diferença de R$ 35.000,00 a menor.

Nossas principais fontes de ingresso desde o segundo semestre de 1999 foram:
3.1. Filmes do Concurso: R$ 115.000,00
3.2. Patrocinio RGE: R$ 45.000,00
3.2. Produção Congresso de Cinema: R$ 10.000,00
3.3. Projeto RodaCine; R$ 10.800,00 (previsto para 2001)

Não há dúvidas de que o grande desafio neste terreno é o de que encontremos novas fontes de mantenimento, inclusive através da busca de convênios internacionais.


4. PRINCIPAIS ATIVIDADES E AÇÕES EMPREENDIDAS NO ANO PASSADO

4.1. Campanha Institucional de Apoio ao Cinema Gaúcho:

Iniciou com um café da manhã de lançamento da campanha, no dia 15 de dezembro na sede da Federasul e que contou com a participação de 17 grandes empresas, além da presença do Vice-Governador, do Secretário da Cultura, do Presidente da Federasul e do Presidente da RGE. este foi um dos nossos mais importantes projetos, previsto para ser desenvolvido em três etapas, sendo que as duas primeiras já foram cumpridas cumpridas. A partir deste evento, onde foi apresentado um "case" do cinema gaúcho e uma série de clips sobre os projetos de longa-metragem em andamento, vários contatos de patrocínio se desenvolveram.

4.1.1. A segunda etapa ocorreu no dia 28 de junho com a realizalção de uma reunião-almoço - a idéia era a de realizar um evento de seqüência do café da manhã e que fosse mais amplo. Como se aproximava a época do 30 CBC, aproveitamos para propor que este evento se desse dentro do projeto semanal da Federasul, que é sua reunião-almoço. O tema foi•’~ Oportunidades de Investimento da Indústria do Audiovisual”. Participaram do evento e fizeram parte da mesa o Presidente da Fundacine, o Secretário do Audiovisual, José Alvaro Moisés e um representante da CVM, além do cineasta Gustavo Dahl, presidente do 30 CBC. A fundacine preparou para a ocasião, um videoclip especial, realizado por Leo Sassen da Clip Finish House, intitulado "Cinema Gaúcho, Um Bom Investimento". Nosso objetivo com esta continuidade, era o de ampliar a campanha de sensibiliza ção do empresariado sobre as potencialidades do marketing cultural no setor.

4.1.2. A terceira etapa desta campanha, ainda por realizar-se, implica em uma campanha pública de longo alcance, envolvendo mídia institucional e alternativa (veiculação de comercial institucional do cinema RS em emissoras de IV, nas salas de cinema, além da criação de um bordão e de várias peças gráficas sobre o tema). Já temos, inclusive, uma agência de publicidade interessada em ser parceira nesta idéia.

4.2. 3º Congresso Brasileiro de Cinema (CBC):

A proposta de realização do congresso (que não acontecia desde 1953), foi lançada pela Fundacine, junto com a APTC e com o IECINE, durante o Festival de Gramado de 1999 e sua realização somente se concretizou depois de um extenuante trabalho de preparação e. produção. Ainda que acreditemos ser do conhecimento de todos o impacto produzido e os resultados decorrentes deste evento, realizado entre 28 de junho e 10 de julho do ano passado, achamos necessário frisar alguns pontos:

A principal conquista do congresso foi a unificação do setor cinematográ fico, representado em maior ou menor medida, por todos os seus segmentos e áreas afins. Neste sentido, a fundação de uma entidade naaonal do setor cinematográfico, também chamada de CBC, foi sem dúvida sua maior conquista, pois há muitas décadas que nos ressentíamos da falta de um interlocutor institucional nacional que pudesse falar e negociar em nome de todos. As repercussões do congresso também se fizeram sentir em nível governamental e parlamentar. Tivemos a criação do GEDIC (ver boletim expresso n03) pelo Governo Federal e, no Senado da República, foi finalizado o relatório da Sub-Comissão de Cinema, incorporando várias sugestões contidas nas resoluções do congresso. A realização do 30 CBC em Porto Alegre foi, no nosso entender, a maior vitória política da Fundacine e do cinema gaúcho em 2000. Foi, também, uma demonstração concreta da vontade política do Governo do Estado (que foi o principal patrocinador e também co-promotor do evento) em apoiar de forma parceira o desenvolvimento do cinema no estado e no país, a partir de sua compreensão, deste, como um investimento estratégico.

4.3. 2º Prêmio de Cinema RGE-Governo do RS

Com a troca de toda a Diretoria e parte do Conselho da RGE, a realização de uma segunda edição do concurso de longas deixou de estar garantida. E isto é natural, se considerarmos que a troca de direção em uma empresa sempre gera a necessidade de construção de novas diretrizes. Neste sentido, passamos a trabalhar, desde maio passado, para sensibilizar a nova direção da empresa sobre a importância de manter o concurso. O sólido retorno de imagem institucional aos promotores foi, sem dúvida, um forte aliado nosso. Mesmo assim, foi uma operação difícil, já que existem muitas demandas de apoio cultural e patrocínio de parte das bases operacionais regionais da RGE.

Nestes meses todos, tratamos de manter um acompanhamento direto da produção/ realização dos filmes do concurso e transmitir estas informações constantemente ao setor de comunicação da empresa e a Sedac/Iecine. Vários foram os relatórios e dossiers encaminhados. A definição da empresa em patrocinar o II Concurso, no entanto, só foi decidida no final de dezembro passado, após um café da manhã organizado pela Fundac4ne realizado na própria sede da empresa RGE. Nele foram apresentados através de data-show, relatório completo sobre o andamento e resultados já obtidos com o 1 Prêmio de Cinema, bem como todas as perspectivas econômicas e culturais que se abriram com o mesmo. Junto a esta apresentação, foi exibido um novo videoclip com imagens selecionadas dos copiões de ‘Tolerância” e “Netto”. Consideramos que foi fundamental a presença do Secretário da Cultura e do Vice-Governador do Estado nesta ocasião, para a consolidação da parceria com a RGE.

4.4. Projeto Cais de Cinema:

Este projeto nasceu com o próprio movimento que levou à criação da Fundacine. Em 1997 uma ação conjunta das entidades da área de cinema com a Sedac, levou àcriação do projeto “Pólo Audiovisual do RS”. Lançado no Festival de Gramado daquele ano, o Pólo aglutinou os principais profissionais e gestores culturais da área em torno de um plano de trabalho desenvolvido por vários grupos temáticos. Este debate atravessou o ano de 1998 e culminou institucionalmente, em dezembro daquele ano, com a criação da Fundacine. Junto a ela foi formatado o projeto de um “Centro Técnico Audiovisual” a ser implantado preferencialmente no Cais do Porto da capital. Este centro técnico surge como a idéia de embrião de uma atividade industrial na área audiovisual, sendo composto por estúdios de bom porte, salas de finalização em som e imagem e um parque de equipamentos. Com o inicio dos trabalhos da Fundacine passamos a capitanear as articulações políticas e institucionais para sua implantação. O governo criou o CEPPAV e, desde então, o debate sobre o tema transcendeu a área e tornou-se público. Graças à vontade política do Governo também, o projeto evoluiu, ganhou um nome, Cais de Cinema, e obteve a fundamental adesão do Labocine, que decidiu implantar uma filial no RS. A evolução principal do projeto se deu durante o ano de 2000 e aprofundou os laços de parceria entre a Fundacine, o Governo do Estado e os principais fornecedores de equipamentos e insumos do setor cinematográfico.•

4.5. Projeto de Dramaturgia RS:

Este projeto, criado e elaborado pela TVE-RS, será a primeira parceria concreta da Fundacine com a emissora pública do estado. A fundação é a proponente deste projeto junto a LIC e tomaremos parte ativa em sua realização. Trata-se uma fase piloto onde está prevista a realização de dez programas especiais de ficção, a serem realizados por dez diferentes produtoras e diretores gaúchos. Eles serão versões gravadas de textos adaptados de escritores gaúchos. A proposta é que façamos um concurso para escolher as produtoras e diretores que os realizarão. Este projeto dá partida a um núcleo gaúcho de tele-dramaturgia, um antigo sonho que pretende reativar esta atividade que já existia nos primórdios da IV no RS.

4.6. Projeto Roda Cine:

Este projeto é uma iniciativa do Instituto Estadual de Cinema - IECINE, ao qual associou-se a Fundacine. Igualmente estaremos responsáveis pelo projeto perante a LIC. Para tanto, assinamos um convênio de co-produção com a Sedac. É um projeto da maior importância para o cinema brasileiro e gaúcho. Ele permitirá que aqueles municípios, onde não existem salas de cinema, possam assistir aos nossos melhores filmes. Isto se dará através de um circuito volante: uma caminhonete equipada com projetor 35mm e demais acessórios de som e imagem, percorrerá inúmeras cidades do interior do estado, projetando filmes em salões de escolas, clubes, ctgs, etc.O projeto tem sua estréia prevista para o mês de fevereiro, na cidade de São Lourenço, com o filme "O Auto da Compadecida".

4.7. Projeto de Formacâo e Reciclagem Profissional:

Conforme citamos, este projeto resultou das discussões de um dos grupos de trabalho deliberados pelo Conselho de Curadores. Ele consiste no elencamento de um conjunto de cursos profissionais de média duração (aproximadamente 4 meses cada), destinados a reciclar e aprimorar a formação de nossa mão de obra na área audiovisual. A ênfase será dada, inicialmente, àquelas funções onde existe maior carência de formação continuada e onde haja um maior número de técnicos formados de forma auto-didática. Por ex: eletricistas, maquinistas, maquiadores, assistentes de câmeralcinegrafista, etc.. Estamos em contato, já há alguns meses, com a Delegacia Regional do Trabalho visando a obtenção de verbas do Ministério, seja através do FAT ou de recursos corrente. O Delegado Regional do Trabalho, tem demonstrado enorme simpatia pela idéia e inclusive já fez os contatos preliminares em Brasília. Pretendemos finalizar a primeira versão do projeto até o final de janeiro.

4.8. Fundo Financeiro de Apoio ao Cinema RS:

Esta proposta, que chegou a ser discutida no CEPAV durante o ano passado, carece até hoje de iniciativas políticas suficientes para ser levada adiante. Seja através de criação de um fundo de financiamento ou de uma carteira de investimento, ele é uma peça vital para a industrialização de nossa atividade. Temos nos perdido nas filigranas da discussão e deixado a iniciativa de lado. A idéia básica consiste em obter a adesão ativa de um agente financeiro do Estado — Banrisul ou BRDE — para a criação de um mecanismo de fomento permanente. Existem pelo menos duas propostas sobre a mesa a serem estudadas: uma que tem origem nas ger6encias da Fundacine e outra oriunda do Sindicato da Indústria do Audiovisual (SIAV). Nossa proposta é de que este tema seja considerado prioritário pelo Conselho e seja encaminhado conjuntamente pela Diretoria e pelas Gerências

Em nosso entender, estes são os principais pontos de avaliação do ano que passou e dos assuntos que seguem atuais e/ou pendentes. Não há dúvida nenhuma para nós de que este balanço, de nosso primeiro ano efetivo de atuação em condições razoáveis (sede, infra-estrutura e finanças), é altamente positivo e pleno de conquistas. Condição esta que só foi obtida, graças àatuação conjunta e solidária de todos os segmentos que compõem o nosso Conselho de Curadores e que foi iniciada há muitos anos atrás com a criação da APTC, a entidade pioneira do setor cinematográfico e que deu início ao diálogo frutífero com o Estado. Este trabalho de longos anos rendeu um sólido conceito para o cinema realizado no RS e um invejável patamar de colaboração e atuação conjunta entre setor cinematográfico e audiovisual, setor público e iniciativa privada, o que continua sendo inédito em termos de Brasil. Mas, mais do que comemorar estas conquistas é hora de refletir e preparar um plano de trabalho eficiente para este ano que se anuncia como muito promissor.


Gerências Fundacine
Janeiro de 2001
 

 
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