| 1. ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO
A Fundacine manteve sua estrutura básica com dois gerentes, uma
secretária-executiva e, nos últimos três meses do ano,
uma estagiária (contratada junto ao CIEE). Via de regra a complementaçâo
de serviços tem sido realizada através da terceirização.
Além desta pequena equipe, a entidade tem contratada uma assessoria
contábil permanente. Contamos atualmente com dois computadores,
ligados em rede, e conectados com o servidor Terra. Nossa ambição,
na medida do possível, é a de fazer um upgrade, passando
à Internet por cabo.
2. FUNCIONAMENTO E FLUXO
DE INFORMAÇÃO
2.1. Por medida de economia, ainda não contamos com uma assessoria
de comunicação permanente e, portanto, não temos um
boletim impresso com bom acabamento. Estamos editando provisoriamente um
"Boletim Expresso" expedido via e-mall ou fax. Nossa intenção,
a curto prazo, é dar uma cara mais jornalística a ele, divulgando
assuntos que sejam da exclusiva alçada da Fundacine. Desta forma
estaremos evitando a redundância de informações com
temas já tratados em boletins como o da APTC. A circulação
continuará a ser efetuada exclusivamente entre as entidades e instituições
que compõem a fundação.
A proposta de instituição de um sue ficou adiada para
2001. Chegamos a orçar com três empresas que trabalham com
webdesign, mas não encontramos nenhuma proposta acessível
aos recursos da Fundacine (tivemos uma diferença a menor em nossa
previsão financeira, conforme relato a ser apresentado na próxima
reunião do Conselho). Se nosso plano puder ser cumprido neste próximo
semestre, poderemos ter um site no ar até o final de março.
2.2. Desde a última reunião do Conselho de Curadores (outubro/2000)
pusemos em prática uma rodada de reuniões dos grupos de trabalho
que lá foram deliberados. O relato dos resultados destas reuniões
foram emitidos nos boletins expressos anteriores. A novidade é que
já obtivemos um primeiro resultado prático destes encontros,
com a elaboração de um projeto de formação
e reciclagem profissional na área audiovisual, que estaremos encaminhando
brevemente ao Ministério do Trabalho.
Avaliamos que esta foi uma experiência exitosa e que deve ser
mantida como rotina neste ano. Ela permite uma maior articulação
dos membros do Conselho com o núcleo executivo da entidade e uma
interlocução menos espurádica. As reuniões
do Conselho de Curadores, por inúmeras razões, não
tem conseguido manter a bi-mensalidade prevista, e que deverá ser
retomada neste próximo ano.
2.3. Consideramos que seria importante, também, instituir a rotina
de uma reunião mensal da diretoria com as gerências, o que
não tem ocorrido.
3. SITUAÇÃO
FINANCEIRA E PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
A Gerência Administrativa da Fundaane elaborou um planejamento
estratégico - PAD, aprovado pelo Conselho de Curadores e adotado
desde agosto de 1999, que tem se demonstrado uma excelente ferramenta de
controle. Ele tem por base o controle simplificado da aplicação
dos recursos, estabelecendo uma tabela comparativa entre o previsto e o
realizado que permite a revisão sistemática dos valores realizados
e sua projeção para meses subseqüentes. Desta forma
são provisionadas e controladas as várias rubricas que compõem
o nosso orçamento. O que pudemos verificar ao longo de 2000 é
que nenhuma das rubricas teve o seu provisionamento estourado. Ao contrário,
conseguimos economizar em várias delas, o que permite uma sobrevida
da entidade, apesar de parte da previsão de valores não ter
sido realizada por inadimplência. Por isso consideramos que a administração
estratégica das finanças cumpriu os objetivos previstos para
o período de gestão.
A única quebra em nosso planejamento é que um dos filmes
do concurso cumpriu apenas parte de seu compromisso com a Fundacine, isto
nos deu uma diferença de R$ 35.000,00 a menor.
Nossas principais fontes de ingresso desde o segundo semestre de 1999
foram:
3.1. Filmes do Concurso: R$ 115.000,00
3.2. Patrocinio RGE: R$ 45.000,00
3.2. Produção Congresso de Cinema: R$ 10.000,00
3.3. Projeto RodaCine; R$ 10.800,00 (previsto para 2001)
Não há dúvidas de que o grande desafio neste terreno
é o de que encontremos novas fontes de mantenimento, inclusive através
da busca de convênios internacionais.
4. PRINCIPAIS ATIVIDADES E AÇÕES
EMPREENDIDAS NO ANO PASSADO
4.1. Campanha Institucional de Apoio ao Cinema
Gaúcho:
Iniciou com um café da manhã de lançamento da campanha,
no dia 15 de dezembro na sede da Federasul e que contou com a participação
de 17 grandes empresas, além da presença do Vice-Governador,
do Secretário da Cultura, do Presidente da Federasul e do Presidente
da RGE. este foi um dos nossos mais importantes projetos, previsto para
ser desenvolvido em três etapas, sendo que as duas primeiras já
foram cumpridas cumpridas. A partir deste evento, onde foi apresentado
um "case" do cinema gaúcho e uma série de clips sobre os
projetos de longa-metragem em andamento, vários contatos de patrocínio
se desenvolveram.
4.1.1. A segunda etapa ocorreu no dia 28 de junho com a realizalção
de uma reunião-almoço - a idéia era a de realizar
um evento de seqüência do café da manhã e que
fosse mais amplo. Como se aproximava a época do 30 CBC, aproveitamos
para propor que este evento se desse dentro do projeto semanal da Federasul,
que é sua reunião-almoço. O tema foi•’~ Oportunidades
de Investimento da Indústria do Audiovisual”. Participaram do evento
e fizeram parte da mesa o Presidente da Fundacine, o Secretário
do Audiovisual, José Alvaro Moisés e um representante da
CVM, além do cineasta Gustavo Dahl, presidente do 30 CBC. A fundacine
preparou para a ocasião, um videoclip especial, realizado por Leo
Sassen da Clip Finish House, intitulado "Cinema Gaúcho, Um Bom Investimento".
Nosso objetivo com esta continuidade, era o de ampliar a campanha de sensibiliza
ção do empresariado sobre as potencialidades do marketing
cultural no setor.
4.1.2. A terceira etapa desta campanha, ainda por realizar-se, implica
em uma campanha pública de longo alcance, envolvendo mídia
institucional e alternativa (veiculação de comercial institucional
do cinema RS em emissoras de IV, nas salas de cinema, além da criação
de um bordão e de várias peças gráficas sobre
o tema). Já temos, inclusive, uma agência de publicidade interessada
em ser parceira nesta idéia.
4.2. 3º Congresso Brasileiro de Cinema
(CBC):
A proposta de realização do congresso (que não
acontecia desde 1953), foi lançada pela Fundacine, junto com a APTC
e com o IECINE, durante o Festival de Gramado de 1999 e sua realização
somente se concretizou depois de um extenuante trabalho de preparação
e. produção. Ainda que acreditemos ser do conhecimento de
todos o impacto produzido e os resultados decorrentes deste evento, realizado
entre 28 de junho e 10 de julho do ano passado, achamos necessário
frisar alguns pontos:
A principal conquista do congresso foi a unificação do
setor cinematográ fico, representado em maior ou menor medida, por
todos os seus segmentos e áreas afins. Neste sentido, a fundação
de uma entidade naaonal do setor cinematográfico, também
chamada de CBC, foi sem dúvida sua maior conquista, pois há
muitas décadas que nos ressentíamos da falta de um interlocutor
institucional nacional que pudesse falar e negociar em nome de todos. As
repercussões do congresso também se fizeram sentir em nível
governamental e parlamentar. Tivemos a criação do GEDIC (ver
boletim expresso n03) pelo Governo Federal e, no Senado da República,
foi finalizado o relatório da Sub-Comissão de Cinema, incorporando
várias sugestões contidas nas resoluções do
congresso. A realização do 30 CBC em Porto Alegre foi, no
nosso entender, a maior vitória política da Fundacine e do
cinema gaúcho em 2000. Foi, também, uma demonstração
concreta da vontade política do Governo do Estado (que foi o principal
patrocinador e também co-promotor do evento) em apoiar de forma
parceira o desenvolvimento do cinema no estado e no país, a partir
de sua compreensão, deste, como um investimento estratégico.
4.3. 2º Prêmio de Cinema RGE-Governo
do RS
Com a troca de toda a Diretoria e parte do Conselho da RGE, a realização
de uma segunda edição do concurso de longas deixou de estar
garantida. E isto é natural, se considerarmos que a troca de direção
em uma empresa sempre gera a necessidade de construção de
novas diretrizes. Neste sentido, passamos a trabalhar, desde maio passado,
para sensibilizar a nova direção da empresa sobre a importância
de manter o concurso. O sólido retorno de imagem institucional aos
promotores foi, sem dúvida, um forte aliado nosso. Mesmo assim,
foi uma operação difícil, já que existem muitas
demandas de apoio cultural e patrocínio de parte das bases operacionais
regionais da RGE.
Nestes meses todos, tratamos de manter um acompanhamento direto da produção/
realização dos filmes do concurso e transmitir estas informações
constantemente ao setor de comunicação da empresa e a Sedac/Iecine.
Vários foram os relatórios e dossiers encaminhados. A definição
da empresa em patrocinar o II Concurso, no entanto, só foi decidida
no final de dezembro passado, após um café da manhã
organizado pela Fundac4ne realizado na própria sede da empresa RGE.
Nele foram apresentados através de data-show, relatório completo
sobre o andamento e resultados já obtidos com o 1 Prêmio de
Cinema, bem como todas as perspectivas econômicas e culturais que
se abriram com o mesmo. Junto a esta apresentação, foi exibido
um novo videoclip com imagens selecionadas dos copiões de ‘Tolerância”
e “Netto”. Consideramos que foi fundamental a presença do Secretário
da Cultura e do Vice-Governador do Estado nesta ocasião, para a
consolidação da parceria com a RGE.
4.4. Projeto Cais de Cinema:
Este projeto nasceu com o próprio movimento que levou à
criação da Fundacine. Em 1997 uma ação conjunta
das entidades da área de cinema com a Sedac, levou àcriação
do projeto “Pólo Audiovisual do RS”. Lançado no Festival
de Gramado daquele ano, o Pólo aglutinou os principais profissionais
e gestores culturais da área em torno de um plano de trabalho desenvolvido
por vários grupos temáticos. Este debate atravessou o ano
de 1998 e culminou institucionalmente, em dezembro daquele ano, com a criação
da Fundacine. Junto a ela foi formatado o projeto de um “Centro Técnico
Audiovisual” a ser implantado preferencialmente no Cais do Porto da capital.
Este centro técnico surge como a idéia de embrião
de uma atividade industrial na área audiovisual, sendo composto
por estúdios de bom porte, salas de finalização em
som e imagem e um parque de equipamentos. Com o inicio dos trabalhos da
Fundacine passamos a capitanear as articulações políticas
e institucionais para sua implantação. O governo criou o
CEPPAV e, desde então, o debate sobre o tema transcendeu a área
e tornou-se público. Graças à vontade política
do Governo também, o projeto evoluiu, ganhou um nome, Cais de Cinema,
e obteve a fundamental adesão do Labocine, que decidiu implantar
uma filial no RS. A evolução principal do projeto se deu
durante o ano de 2000 e aprofundou os laços de parceria entre a
Fundacine, o Governo do Estado e os principais fornecedores de equipamentos
e insumos do setor cinematográfico.•
4.5. Projeto de Dramaturgia RS:
Este projeto, criado e elaborado pela TVE-RS, será a primeira
parceria concreta da Fundacine com a emissora pública do estado.
A fundação é a proponente deste projeto junto a LIC
e tomaremos parte ativa em sua realização. Trata-se uma fase
piloto onde está prevista a realização de dez programas
especiais de ficção, a serem realizados por dez diferentes
produtoras e diretores gaúchos. Eles serão versões
gravadas de textos adaptados de escritores gaúchos. A proposta é
que façamos um concurso para escolher as produtoras e diretores
que os realizarão. Este projeto dá partida a um núcleo
gaúcho de tele-dramaturgia, um antigo sonho que pretende reativar
esta atividade que já existia nos primórdios da IV no RS.
4.6. Projeto Roda Cine:
Este projeto é uma iniciativa do Instituto Estadual de Cinema
- IECINE, ao qual associou-se a Fundacine. Igualmente estaremos responsáveis
pelo projeto perante a LIC. Para tanto, assinamos um convênio de
co-produção com a Sedac. É um projeto da maior importância
para o cinema brasileiro e gaúcho. Ele permitirá que aqueles
municípios, onde não existem salas de cinema, possam assistir
aos nossos melhores filmes. Isto se dará através de um circuito
volante: uma caminhonete equipada com projetor 35mm e demais acessórios
de som e imagem, percorrerá inúmeras cidades do interior
do estado, projetando filmes em salões de escolas, clubes, ctgs,
etc.O projeto tem sua estréia prevista para o mês de fevereiro,
na cidade de São Lourenço, com o filme "O Auto da Compadecida".
4.7. Projeto de Formacâo e Reciclagem
Profissional:
Conforme citamos, este projeto resultou das discussões de um
dos grupos de trabalho deliberados pelo Conselho de Curadores. Ele consiste
no elencamento de um conjunto de cursos profissionais de média duração
(aproximadamente 4 meses cada), destinados a reciclar e aprimorar a formação
de nossa mão de obra na área audiovisual. A ênfase
será dada, inicialmente, àquelas funções onde
existe maior carência de formação continuada e onde
haja um maior número de técnicos formados de forma auto-didática.
Por ex: eletricistas, maquinistas, maquiadores, assistentes de câmeralcinegrafista,
etc.. Estamos em contato, já há alguns meses, com a Delegacia
Regional do Trabalho visando a obtenção de verbas do Ministério,
seja através do FAT ou de recursos corrente. O Delegado Regional
do Trabalho, tem demonstrado enorme simpatia pela idéia e inclusive
já fez os contatos preliminares em Brasília. Pretendemos
finalizar a primeira versão do projeto até o final de janeiro.
4.8. Fundo Financeiro de Apoio ao Cinema RS:
Esta proposta, que chegou a ser discutida no CEPAV durante o ano passado,
carece até hoje de iniciativas políticas suficientes para
ser levada adiante. Seja através de criação de um
fundo de financiamento ou de uma carteira de investimento, ele é
uma peça vital para a industrialização de nossa atividade.
Temos nos perdido nas filigranas da discussão e deixado a iniciativa
de lado. A idéia básica consiste em obter a adesão
ativa de um agente financeiro do Estado — Banrisul ou BRDE — para a criação
de um mecanismo de fomento permanente. Existem pelo menos duas propostas
sobre a mesa a serem estudadas: uma que tem origem nas ger6encias da Fundacine
e outra oriunda do Sindicato da Indústria do Audiovisual (SIAV).
Nossa proposta é de que este tema seja considerado prioritário
pelo Conselho e seja encaminhado conjuntamente pela Diretoria e pelas Gerências
Em nosso entender, estes são os principais pontos de avaliação
do ano que passou e dos assuntos que seguem atuais e/ou pendentes. Não
há dúvida nenhuma para nós de que este balanço,
de nosso primeiro ano efetivo de atuação em condições
razoáveis (sede, infra-estrutura e finanças), é altamente
positivo e pleno de conquistas. Condição esta que só
foi obtida, graças àatuação conjunta e solidária
de todos os segmentos que compõem o nosso Conselho de Curadores
e que foi iniciada há muitos anos atrás com a criação
da APTC, a entidade pioneira do setor cinematográfico e que deu
início ao diálogo frutífero com o Estado. Este trabalho
de longos anos rendeu um sólido conceito para o cinema realizado
no RS e um invejável patamar de colaboração e atuação
conjunta entre setor cinematográfico e audiovisual, setor público
e iniciativa privada, o que continua sendo inédito em termos de
Brasil. Mas, mais do que comemorar estas conquistas é hora de refletir
e preparar um plano de trabalho eficiente para este ano que se anuncia
como muito promissor.
Gerências Fundacine
Janeiro de 2001
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