INFORME FUNDACINE 01 - OUT/2000

1. Reunião de Fundação do CBC no Rio de Janeiro
2. Concurso de Longas RGE – Governo do RS
3. Projeto Roda Cine
4. Reuniões de Grupos de Trabalho do Conselho da Fundacine
5. Cais de Cinema
ANEXO: CARTEIRA DE CAPTAÇÃO PARA O CINEMA RS

 
1. Reunião de Fundação do CBC no Rio de Janeiro

O encontro aconteceu durante a realização do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, no hotel Copacabana Palace, no último Domingo, dia 15 de outubro. 

Estavam presentes representantes das seguintes entidades e associações: Abraci, Apaci, Snic, Stic, Sindicine, ABC (diretores de fotografia), ABCD (diretores de publicidade), ABD Rio, ABD Nacional, Sated-RJ, Socine, ABPI-TV, Associação dos Festivais Brasileiros de Cinema, Feisal, Cinemateca do MAM, Cinemateca Brasileira, Fundacine, Iecine, Lista Cinema Brasil. Apesar de terem confirmado presença, através de Hugo Sorrentino e Jorge Peregrino, não compareceram, respectivamente, a Feneec (Federação Nac. dos exibidores) e Sindicato dos Distribuidores do RJ. 

Foi redigida uma Ata Fundacional da entidade CONGRESSO BRASILEIRO DE CINEMA (brevemente teremos uma cópia da mesma), assinada por todos os presentes. Esta ata demarca o ato inaugural de institucionalização da entidade, que deverá ter um segundo momento agora no mês de novembro. Isto porque o plenário da reunião julgou que não havia acúmulo de discussão suficiente além de tempo necessário ao debate e aprovação do estatuto da entidade. Esta discussão, ponto à ponto, ficou de ser desenvolvida por todas entidades até o próximo Festival de Brasília, na segunda quinzena de novembro, quando deverá ser aprovado em nova reunião das entidades. Neste mesmo encontro, após a aprovação dos estatutos, e em acordo com ele, deverá ser eleita também a diretoria executiva da entidade. O CBC será uma associação civil, sem fins lucrativos, cuja principal missão é a de dar continuidade às resoluções do 3º Congresso Brasileiro de Cinema, o que inclui também a própria representação institucional do setor. 

Foi definido igualmente, um grupo de trabalho, localizado no Rio de Janeiro, encarregado de formatar o projeto de realização do IV CBC. Este grupo está composto por Gustavo Dahl, Antonio Leal e Wilma Lustosa. A Fundacine já providenciou o envio a eles, de cópias do projeto e orçamento detalhado do 3º CBC, para servir como modelo de formatação. 

Além destas questões, foram levantados vários assuntos que estão na ordem do dia do setor e que tem se convertido em agenda política obrigatória para a nova entidade: GEDIC, Forum de Qualidade Total do Minc, Comissão de Cinema do Congresso, etc. 

Gustavo Dahl fez um breve relato da evolução do trabalho no GEDIC (Grupo Executivo para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica), que foi criado recentemente pelo governo federal e do qual participam representantes de cinco ministérios. O Gabinete da Casa Civil convidou, de maneira pessoal, algumas personalidades da atividade cinematográfica e audiovisual. Teoricamente como representantes de segmentos da indústria (Gustavo Dahl, Cacá Diegues, LC Barreto, Rodrigo Saturnino e Evandro Guimarães da Abert), mas na verdade como pessoas físicas. Gustavo comprometeu-se a não atuar por conta própria, mas em nome do CBC e em sintonia com as orientações da nova entidade, buscando refletir fora do GEDIC as discussões que lá forem travadas. Esta atitude orgânica será fundamental para o desenvolvimento e consolidação do CBC enquanto interlocutor legítimo da atividade. 

No final da reunião ficou decidido que até Brasília, continuará funcionando a atual Executiva Provisória, cuja missão mais imediata será a definir um instrumento de comunicação interna pela Internet (intranet) para que as informações fluam entre a executiva e as entidades-membros do CBC. O mais provável é que se aceite a oferta de hospedagem da Visualnet e a assessoria de Carlos Ebert, da ABC, na formatação de uma lista interna de discussões e de um futuro site. 


2. Concurso de Longas RGE – Governo do RS

Como é do conhecimento de todos, a conselheira da Fundacine Kátia Dornemann, representante da RGE, despediu-se da entidade, pois transferiu-se para uma outra empresa de São Paulo. Mas, como boa profissional que é, Kátia preocupou-se em não deixar a descoberto o encaminhamento deste e de outros assuntos. Na última reunião do nosso Conselho de Curadores, ela apresentou Bianca Franchini, que representará provisoriamente a RGE junto a Fundacine, até a escolha do novo(a) Coordenador(a) de Comunicação. Ela e Michael Menta – que já vem colaborando com a Fundacine desde sua criação – darão continuidade aos assuntos pendentes e em andamento. Diante disso, já fizemos uma primeira reunião de trabalho, com os seguintes assuntos:

II Concurso – ficou estabelecido que a apresentação do projeto deste deverá seguir nossa idéia original, de cumprir um calendário destinado primeiramente a sensibilizar a nova diretoria da RGE para a importância de manter o concurso como política de marketing da empresa. Afinal o concurso está apoiado nesta parceria da empresa com o Governo do estado. Para ir adiantando o assunto, a gerência da Fundacine providenciou a edição de um vídeo clip com imagens dos filmes do I Concurso, bem como uma cópia do vídeo promocional do cinema gaúcho que tinha sido apresentado no Tá na Mesa da Federasul, durante o 3ºCBC. Estas duas peças audiovisuais se somaram a um clipping de imprensa bastante completo e uma seleção de fotos de set e de locações dos três filmes do concurso. Este dossiê, via Katia, foi enviado à Diretoria Executiva da RGE, para que seus membros possam ir familiarizando-se com o assunto. 

A idéia é que o passo seguinte seja a promoção de um café da manhã na empresa, entre a primeira e a segunda semana de novembro, de preferência com a presença do Vice-Governador e do Secretário de Estado da Cultura, que tem sido nossos interlocutores privilegiados e acompanhado todos os movimentos importantes do cinema gaúcho nestes dois últimos anos. 

Enquanto isso, iremos confeccionando o projeto que deverá ser apresentado a LIC, bem como ir finalizando a discussão sobre o regulamento do II Concurso, que em muitos pontos deve ser aperfeiçoado. Nossa idéia é inscrever o projeto na LIC até, no máximo, o final de novembro, ou antes disso se for mais conveniente de acordo com os projetos do "rito especial", àqueles que tem a participação da SEDAC. 

De qualquer modo, Katia Dornemann, antes de sair da RGE, incorporou o projeto do concurso ao seu orçamento de comunicação para o próximo biênio, mantendo os mesmos R$ 3.000.000,00, acrescidos de R$ 100.000,00 que deverá ser destinado a premiar um curta sobre questões ambientais. Estes três milhões, se aprovados pela Diretoria e Conselho da RGE, deverão ser pagos aos premiados em parcelas, sendo metade em 2001 e a outra metade em 2002. Segundo Katia, esta estratégia está de acordo com a próprio prazo de realização dos filmes do concurso, que é de dois anos. Além disso, isto facilitaria a aprovação do mesmo dentro da empresa, já que comprometeria menos sua possibilidade de investimento cultural através da Lei do ICMS, deixando espaço também para outros projetos apresentados pelas gerências regionais. 

Uma das exigências importantes da RGE, neste momento, é de que a empresa possa tirar partido de imagem nos filmes que estão prestes a serem lançados, especialmente no caso de Tolerância, que é imediato. Por isso, recomendaremos à produção dos filmes que se preocupem em organizar uma pré-estréia para os convidados e diretorias dos principais patrocinadores, bem como não deixem de mencionar nunca nos releases o Concurso RGE - Governo do RS. 


3. Projeto Roda Cine 

A Fundacine assinou convênio com a Secretaria de Estado da Cultura, para administrar este projeto, que é uma iniciativa do o Instituto Estadual de Cinema – IECINE. O "Roda Cine" será de enorme importância para a promoção e popularização do cinerma gaúcho e brasileiro junto ao grande público do interior, onde na maioria das cidades não existem atualmente salas de cinema em funcionamento. 

Este projeto contribuirá também para a formação de novos públicos e para o resgate do hábito social de ir ao cinema, condição básica uma verdadeira democracia audiovisual e para que o cinema nacional recupere uma fatia de mercado que já foi sua.

O projeto consiste na realização de um circuito de exibição itinerante. O que configura uma típica proposta de descentralização cultural, pois implica na criação de uma estrutura de produção e promoção, que busque o apoio operacional de prefeituras, meios de comunicação e entidades civis nestas cidades, precedendo a chagada da unidade móvel do projeto. 

A infra-estrutura exigida se compõe de uma van com equipamento completo de som e imagem para projeção em 35mm e tela desmontável. 

O Roda Cine, que já tem o patrocínio para sua primeira unidade móvel, continua buscando novos patrocinadores para a aquisição de outras unidades e criação de novos circuitos pelo interior do Estado.


4. Reuniões de Grupos de Trabalho do Conselho da Fundacine

A Gerência Executiva da Fundacine montou um calendário de reuniões de trabalho visando integrar os conselheiros nos projetos e na rotina da entidade. Esta proposta de agenda, conforme resolução aprovada na última reunião do Conselho de Curadores, foi remetida a todos.

É muito importante que os conselheiros se pronunciem e elejam o Grupo de Trabalho com o qual possuam maior afinidade. A Secretaria Executiva da Fundacine tratará de confirmar por telefone a agenda com todos.

Em anexo a este, segue a proposta da "Carteira de Captação Para o Cinema RS", sugerida como pauta para a primeira reunião de trabalho, dia 25/10.


5. Cais de Cinema

Conforme relato em nossa última reunião, o projeto do Cais de Cinema segue em compasso de espera, aguardando algumas decisões de fundo, especialmente no que diz respeito ao local físico de instalação do mesmo. 

Todos nós – Fundacine e demais entidades da área cinematográfica - entendemos que os Armazéns C3 e C4 do Cais do Porto seguem sendo o lugar ideal para o complexo. O debate e diálogo, através do Governo do Estado, com a área portuária deve prosseguir por mais algum tempo portanto, até que o projeto global de redimensionamento do Cais de Porto Alegre, tenha seu perfil definido.

De qualquer modo, o local de instalação da filial do Labocine do Rio de Janeiro já está definido e deverá ser em um dos armazéns "A". No final deste mês, o Governo deverá assinar o contrato com aquela esta empresa para a utilização do referido armazém. A expectativa do Labocine é começar a funcionar a curto prazo.

Há que se ressaltar, muito positivamente, a vontade política demonstrada pelo Governo que, em seu projeto de orçamento para 2000, enviado à Assembléia Legislativa, consignou uma verba de R$ 3 milhões para a criação e instalação do "Cais de Cinema". 


Fundacine RS, Outubro de 2000
 

 
CARTEIRA DE CAPTAÇÃO PARA O CINEMA RS

1. JUSTIFICATIVA

A captação de recursos para a produção cinematográfica no RS tem dependido basicamente da competência e qualidade de alguns poucos profissionais da área, sejam produtores executivos ou captadores profissionais.

Em geral, estes recursos provem quase exclusivamente dos aportes de empresas privadas, que se beneficiam dos mecanismos de renuncia fiscal permitido pelas diferentes leis em vigência. 

Algumas vezes, estas fontes são complementadas pelo montante de prêmios de origem pública ou privada, a exemplo do Concurso de longas RGE - Governo do RS. Mas o que sim é certo, é que raras são as empresas produtoras que buscam outros tipos de suporte econômico, especialmente aquele que mais tem alavancado as diferentes cinematografias nacionais ao redor do mundo: o instrumento das co-produções internacionais.

Independente de desenvolvermos uma visão crítica sobre este estado de coisas e que trabalhemos para reorientar estrategicamente a produção cinematográfica no RS, cabem também ações de curto e médio prazo que utilizem com maior eficácia os mecanismos já disponíveis.

O presente projeto busca ocupar este espaço e propor a criação de um fundo que forneça suporte econômico para a atividade por um longo período.

2. OS MÉTODOS DE CAPTAÇÃO

Via de regra, a captação de recursos está exclusivamente voltada às pessoas jurídicas de grande porte, com massa fiscal suficiente para que a parte utilizável de seus impostos devidos, federais e estaduais, sejam significativas para a produção audiovisual. Fora deste campo, o esforço de captação e o dispêndio de tempo e energia pode não compensar.

Estas empresas de porte, em número reduzido em nossa economia, encontram-se quase exauridas em sua capacidade de investimento em marketing cultural.

Esta disputa pela atenção e sensibilidade de umas poucas empresas é, ainda, complicada pela existência de projetos de filmes de outros estados que buscam captação no RS.

Existe, de outro lado, milhares de empresas de pequeno, médio e grande porte, que possuem potencial de investimento e ainda não foram procuradas.

Além deste campo ainda virgem, existem milhões de pessoas físicas, que pagam Imposto de Renda por ex, e que nunca entraram nesta conta.

Este projeto aponta para a exploração destes nichos ainda intocados. Se eles individualmente são pouco representativos, reunidos são muito mais expressivos do que o restrito universo das mega empresas. São eles, portanto, o público alvo desta carteira.

3. OBJETIVOS 

O projeto da Carteira de Captação não exclui que as empresas produtoras possam seguir com suas captações individuais (Leis do Audiovisual e Rouanet, em nível federal e Lei do ICMS, em nível regional). 

O que ela propõem é a captação descentralizada de recursos junto à potenciais patrocinadores e investidores em todo o Estado do RS. O que equivale buscar recursos junto às pessoas jurídicas de pequeno, médio e grande porte e, também, junto às pessoas físicas de um modo geral.

4. OPERACIONALIZAÇÃO

O mecanismo básico seria a constituição de uma carteira de fomento junto ao Banrisul, capaz de receber recursos destas três leis.

No caso específico de recursos captados através da Lei do Audiovisual, entraria em cena também a corretora do Banrisul.

O banco, em conjunto e com assessoria da Fundacine, executaria um programa de treinamento progressivo dos gerentes das agências locais, que passariam a atuar diretamente junto à clientela no sentido de explicar as virtudes e vantagens de investimento no setor.

A captação seria dirigida a este fundo e beneficiaria todos os projetos de produção em longa-metragens e projetos de abertura de salas de cinema já aprovados pelo Minc e CVM e/ou pelo Conselho Estadual de Cultura, no caso de estar utilizando-se exclusivamente da Lei do ICMS.

Tanto a forma de distribuição dos recursos – se equânime ou proporcional ao orçamento dos filmes – quanto os condicionantes legais a existência desta carteira, deverão ser detalhados mais adiante.

O fundamental, agora, é que haja vontade política suficiente para que possa ser dado partida ao projeto.
 


 
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